Sonetos

Musa Vigiada


Quando te vi pela primeira caminhada
Vi-te vigiada pelos olhos vigilantes
Que iam te seguindo indiferentes, mas falantes,
Pelos meandros cavernosos da cruzada!

E tu, vigiada, ó musa dos intolerantes!
Cruzava cada esquina na faixa listrada
Não sorria, não falava, não via... Compassada,
Às cegas, quem diria? Olhos sem luz e de amantes,

Na escuridão da via cruzada, encruzilhada
De todas as vias da musa dos andantes,
A musa mais vigiada dos viandantes!

A esmo assim segue em frente, não vê nos distantes
Céus vigilantes, que vigiam a grande estrada
Sem horizonte... — Só vigiam, Musa Vigiada!

(26/04/2006)



Andando eu vou correndo


Preparado estou para mais um dia
De correria pela via expressa,
Assim eu vou correndo sem mais pressa...
Andando eu vou correndo nesta via!

Esta via que me leva ao paraíso...
Acho eu, pois nem sei se ainda existe
O paraíso que sempre persiste
Em nossa razão, mas sem nenhum juízo!

Eu sempre vou, mas nunca chego ao fim,
Pois andando eu vou correndo lento,
Lento que quase não alcanço a mim!

Já que andando eu corro ávido no intento
De buscar um melhor entendimento.
Não encontro o paraíso!... O inferno sim!

(27/04/2006)



Soneto Via


Que soneto eu lerei ao pôr-do-sol
Sentado ao meio-fio vendo o arrebol,
Enquanto a minha amada não me esbarra
Com seu amor por si feito a alcaparra,

A flor broto curtida no vinagre
Conservada beleza do milagre
De ensimesmar-se sempre no botão
De permanecer sem inspiração!

Preferia não ler nada, mas só ver,
Nem contemplar à tarde, mas rever,
Soneto Via que imita a poesia!

Pôr-do-sol se foi. Fui levado embora
Pela longa noitada e sem demora!
Não li, vi e nem revi esta fantasia...

(28/04/2006)



Andarei pelo bem do coração


Andarei pelo bem do coração
Sempre em frente na sua direção,
Pois preciso muito encontrar lá
Onde a curva desfez o nosso olá

Um alento maior, muito maior
Que este daqui, que não é nem pior
Nem melhor do que aquele ali, dali!
Então, que tal andar neste rali?

Eu te encontrarei nesta caminhada
Num suadouro danado e tu suada
Que choraremos lágrimas de poros!

Mas a andança trará novos esporos,
Assim continuaremos caminháveis
Em direção dos últimos saudáveis!

(29/04/2006)


(Sonetos extraídos do livro: Poética sonetóide via olhos vigilantes/autor: Osvaldo Matsuda)

Nenhum comentário:

Postar um comentário