NEGRO VÉIO



Toca atambaque Nhonhô
eu quero escuitá a voiz dos antigo
que me resta
senão este pito véio e a memória.

As veis me dói no peito lembrança
de preto sem instrução,
rasgando a terra
adubando,
debastando,
na lida diária
dinheiro escasso,
parcimonioso,
sem respeito,
sem direito,
sem dignidade.

Negro Véio
morto no triste ataúde
é como boi carrerô
instrumento de lida.

Tro dia atráis
estudante da capitá
me falô da sina de um nego dos antigo
chamado Zumbi,
diz que era belo, de corpanzí
letrado e guerreiro,
ergueu o sinar da resintença.

Estudante da capitá nunca mais vorto
pra me falá coisa bonita,

E nego Véio
morto no triste ataúde
é como árvore morta conservando o cerne.

Toca o atambaque Nhonhô
quero escuitá a vois dos antigo.


Julio cesar da Costa

1 comentários:

  1. Boa noite!

    Sou um estudioso da Língua Portuguesa desde que me conheço por gente e também conheço Iguape, Cananéia, Ilha Comprida e outros logradouros do Vale do Ribeira. Fazendo uma pesquisa via internet sobre o dialeto caipira de nossa cívica língua - a região de Presidente Prudente, onde resido, também é caipira - acabei descobrindo que o mesmo começou aí no Vale. Então nada melhor que acompanhar a literatura valeribeirense para me aprofundar mais no estudo em questão. Agradeço a oportunidade de seguir seu blog e, caso queiram apreciar uma produção poética independente (ligada a várias regiões e vários dialetos do Português porém sem especializar-se em nenhum específico), tenho todo o meu livro, Poesia Diversa, editado em meu blogspot: http://terrapangeia.blogspot.com.
    Novamente boa noite, e amplexos sinfônicos a todos!

    Cordialmente,
    Jonathan 'Hamelin' Malavolta, músico profissional e escritor por hobby e puro prazer.

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