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UM CHÃO NO CAMINHO

Um chão no caminho
Que só pode
Por via das duvidas ser pisado
Então passes!
Tens a força do vento
E és bem melhor que a perícia dos galhos
Que se sincronizam e cantam
Em face da ação desse mesmo vento.

Deixe que as estrelas indiquem o caminho
Além do cruzeiro do sul
Enquanto uma garça branca cruza o céu
Enquanto os piralampos cintilam luzes verdes nos pastos
E aranha d água ensaia um balé na superfície entre miasmas
Enquanto ao raios claream o céu em abstratos traços

Deixe que eu te encontre na vazão da maré
E arranque do meu peito todas essas inconstâncias
Para que eu pare de me indagar
Porque mesmo tão distante
Mesmo além mar
Teus cabelos continuam esvoaçantes entre galhos
E entre folhas e flores de ipê descansadas ao chão.

Deixe tocar a musica da dor uníssona
Acorde todas os contrafortes das serras
Todas as pedras que calçam as trilhas
Avise-os que estão voltando
Não tenho mais a valentia de outrora
Mas conservo a alegria das tardes surradas de rubro
Onde o sol se punha vagarosamente passeando
sobre o penteado das árvores altas e quietas.



Julio Cesar



Batucajé do Vale e Parceiros da Arte inauguram ponto de Cultura em Miracatu.


O grupo Cultural Batucajé do Vale a Associação Cultural Parceiros da Arte inauguram no proximo dia 25 de fevereiro o ponto de cultura em Miracatu.

O ponto de cultura será um espaço para preservação e resgate de tradições culturais do município,além de servir de espaço físico para qualquer manifestação da sociedade de cunho cultural.

O ELEFANTE QUE QUERIA VOAR



O elefante queria voar
Não se contentava
No chão a pisar

Ele imaginava o azul do céu
Feliz como a pipa
De linha e papel

Ele fez um trato
Com o velho urubu
-Me empreste suas asas
Vou voar para sul
Pois a partir de hoje
Eu vou te deixar
Toda minha força
Pra você usar.

Num passe de mágica
Ele conseguiu
Duas enormes asas
E no céu sumiu

Mas deixou na selva
O velho urubu
Que vivia quieto
Sempre jururu

Mas ganhou uma força
Nem sabia usar
Obrigou os bichos
Todos a dançar

Foi uma alegria
Uma confusão
Só que viver de festa
Não dá certo não!

Pois aquela festa
Não queria parar
Todos enjoaram
De tanto cantar
Mas o urubu
Pos-se a gritar
- Só se para a festa
Quando eu mandar

Pois eu sou mais forte
Sou o valentão
Meia tonelada
Seguro na mão.

Foi ficando chato
O que era bom
Ninguém agüentava
aquele mesmo som.

E a bichara começou a gritar
O nome do elefante
Só pra ele voltar

E o elefante tava entediado
Já voara o céu
De todo quanto é lado.

Estava com saudade
De seus pés no chão
Ainda mais, ter asas
Era um trabalhão.


JULIO CESAR COSTA
DA FUTURA PUBLICAÇÃO
INFANTIL " NO BALANÇO DA MARÉ"

A consciência Branca da Globo

Não havia data melhor. Em plena semana da Consciência Negra, a teledramaturgia global reafirma, mais uma vez, a pura reprodução de imagens, palavras e ideais racistas em horário nobre.

Ao elencar a atriz negra Thaís Araújo para protagonista de sua novela das nove, a TV Globo, através de seu funcionário Manoel Carlos, parecia querer responder ao Estatuto da Igualdade Racial idealizado pelo movimento negro que não seria necessário estabelecer cotas para atrizes e atores negros; bem, parece não ter sido à toa que justamente no momento de uma decisão histórica quanto ao conteúdo do referido Estatuto, a Globo tenha lançado ao ar duas novelas com protagonistas negras, atrizes que inclusive têm uma postura racial condizente às suas trajetórias, como são Thaís Araújo e Camila Pitanga. Nas entrelinhas, previa-se uma forjada justificativa à sociedade das "desnecessárias" cotas raciais para os meios de comunicação, já que este espaço vem sendo ocupado pelo núcleo negro da Globo. Convenhamos, uma jogada de mestre; assim, evita-se o "mal maior" para a Consciência Branca do comando global, que é obedecer a lei e fazer cumprir os direitos da pessoa, da população e dos povos negros.

Pois então que nesta semana, no capítulo que foi ao ar na noite do 17 de novembro, com precisão cirúrgica o autor desenhou a cena mais representativa possível da ópera racista contra o verdadeiro protagonismo negro. A suposta protagonista da novela, a personagem de Helena, após ser retirada de seu núcleo familiar negro para transitar exclusivamente num núcleo branco e assim ser sujeita a traições e humilhações, é posta de joelhos diante de uma de suas antagonistas brancas - já que, para uma negra, não basta uma só antagonista, devendo vir elas em número de três: a amante do marido, a filha mimada e infantilizada do marido e a ex-mulher do marido. Não apenas de joelhos, deve pedir perdão de cabeça baixa; não apenas de cabeça baixa, sob o olhar duro e inflexível de sua então dominadora; não apenas isso, como se já não fosse o bastante, deve pedir perdão e ter por resposta uma bofetada no rosto. Para finalizar a cena, a personagem desabafa com uma das melhores amigas que "devia ser assim".

A idéia de protagonista negra, na Globo, enfim foi definida claramente. Uma heroína que, se inicialmente surgia diante de um drama familiar, afirmando um núcleo negro protagonista, como âncora, marco e raiz, veio sendo reduzida dramaturgicamente a pobre vítima de suas três antagonistas brancas, tendo estas enfim recebido mais espaço de visibilidade que a suposta protagonista. O papel, de central, tornou-se periférico, apoio para a virada de jogo das outras atrizes, que passam a receber os aplausos da população e das "críticas" noveleiras de plantão, prontas para limar a atriz negra por seu papel "sem graça".

Ou talvez, pensa o autor que pode salvar o papel de Helena pondo-a no lugar em que acha pertencer à mulher negra. Agora sim, a Globo assinou embaixo de suas verdadeiras posturas ideológicas - mais diretamente, de seu racismo.

Rebeca Oliveira Duarte
Advogada e Cientista Política do Observatório Negro

"Não me digas que não podes; querendo Deus e dando-te coragem, poderás."
(Sócrates, em Platão, "Teeteto")

Rebeca Oliveira Duarte
Observatório Negro
Rua do Sossego, 253 - sala 02 - Boa Vista
Recife-PE - CEP 50.050-080
F: 00 55 81 34231627/94211435
observatorionegro@gmail.com
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Maria Chules Princesa


Maria Mereciana foi uma das filhas de Bernardo Furquim fundador da
comunidade quilombola de São Pedro as margens do Rio Ribeira de Iguape.
Segundo a fala era uma negra alta de muita coragem e valentia. Casou-se com
gente lá de Nhunguara, era afamada pelo seus dotes de luta, pelos serviços de parteira e benzedeira. Usava sempre um facão de 20 polegadas, caçava e atirava melhor que qualquer homem,ouvia-se sempre relatos de que com maestria e destreza ela enfrentara no mato sozinha uma vara de ferozes porcos do mato.
Como a tradição naqueles tempos aos sábados era dia de visita em casa de parentes , também era dia em que os homens reuniam-se na verada do alambique lá na beira do rio, estavam sempre em corriolas a conversar, isso era
de costume, como era também de tradição o desafio de aloitamento, onde um desafiava o outro para uma brincadeira onde travava-se uma peleja de esquivas,
com movimentos rasteiros e de equilíbrio.
Num desses dias Mereciana chegou onde os homens estavam reunidos debaixo de uma bela árvore, montada em seu cavalo chamado “corrupio”, lá eles estavam
aloitando, quando ela começou a desafiar os homens, aloitou com um rapaz
e lhe deu uma rasteira,desafiou um outro e o venceu com um solavanco com os pés no peito do infeliz, até que ela desafiou um homem que poucos conheciam
por ali e ele numa distração de Mereciana lhe jogou areia nos olhos cegando-a
momentaneamente, aproveitando-se para derrubá-la e humilhá-la zombando
de sua coragem.
Ela manjou bem ele e disse:
- Voismecê me derrubô hoje e eu já to de pé, mas amanhã quando eu te derrubá
voimecê num há de si levantá.
O tempo correu igual as águas do Ribeira quietas e ligeiras,após uma caçada das boas Mereciana havia matado dois bons porcos do mato e através de uma outra negra ofereceu um quarto do bicho ao homem desconhecido que a expusera a dolorosa humilhação na beira di rio. O homem aceitou a gentileza e não se fez de rogado. Só que a partir desse dia o rapaz passou a sofrer de uma estranha enfermidade, caindo de cama, sua pele enrugou e escamou , tal qual um sapo, o
homem agonizou durante vários meses, tempo em que Mereciana estava lá pras
bandas das terras de Caiacanga. Meses depois , ao retornar a região a negra soube da enfermidade do homem e como sua fama de rezadeira e benzedeira era
muito grande atendeu pedido de uma parente do acomedido que fosse fazer uma
visita e rezasse por ele.
Mereciana foi ,chegou até o casebre o quarto esta cheio de visitas, a negra pediu que todos se retirassem. Ela então se aproximou da cama e colocando as mãos sobre a testa do homem ordenou que a doença o libertasse.
Nesse momento dizem que um vulto cinzento desceu do céu e o vento varreu a casa toda, arrebentou as tramelas das janelas e portas e “penteou” todo o matagal que beirava o rio, e depois ouviu-se um som de um mergulho na água,
a tal criatura desapareceu, e o homem levantou-se conversando como se nada
tivesse acontecido.
A figura de Maria Mereciana é tão popular entre as comunidades de quilombo de
Eldorado que a escola da comunidade de André Lopes homenageou-a dando nome a primeira escola quilombola de São Paulo “ Maria Chules princesa”.


Julio Cesar da Costa

Lendas de quilombo

LIRISMO

IMAGENS DO "1º ENCONTRO LITERÁRIO REGIONAL"

FOTO DE TODO GRUPO
FOTO DE TODO GRUPO
FOTO DE TODO GRUPO
FOTO DE TODO GRUPO
ROBERTO FORTES(IGUAPE) E LUIS PASSOS(CAJATI)
OSVALDO MATSUDA ( MIRACATU)
BANCADA COM PRODUÇÕES DOS ESCRITORES
JEHOVAL JUNIOR (MIRACATU)

FOTOS DE LUIS MARCO

ASPECTOS DA TOPONÍMIA

O Vale do Ribeira é uma região ao sul do estado de São Paulo que compreende 24 municípios onde a diversidade biológica de ecossistemas proporciona uma sucessão de cenários surpreendentes. Dona de um legado histórico fantástico que inicia-se com os indígenas que habitavam a faixa litorânea entre Iguape e Cananéia por volta de 1500 e continua com a influência colonizadora Luso-hispânica que marca o processo de ocupação da região, motivados pela exploração de metais preciosos até meados do século XVII, muitos aventureiros vasculharam toda a região através do rio
Ribeira de Iguape a procuro de ouro.Toda essa ação teve como palco o rio Ribeira sendo o principal meio de locomoção e instrumento para o povoamento do interior da região.
Essa história da ocupação territorial do vale do Ribeira interage diretamente com a formação das comunidades negras ,pois com a queda da produção de ouro ocorreu um abandono da região por parte da população branca, sendo os escravos alforriados ou simplesmente abandonados passando a ocupar terras apossadas mata adentro formando o que são hoje as comunidades remanescentes de quilombo .
O Vale do Ribeira tem identificado várias comunidades de quilombo mas a mais conhecida é sem duvida Ivaporunduva no município de Eldorado e teve sua origem associada a atividade mineradora e a uma senhora de nome Joana Maria , de acordo com relatos de antigos e registro do livro do tombo da paróquia de Xiriririca , as terras de Ivaporunduva foram doadas por essa senhora de origem mineira aos escravos que a serviram, dando-os também a liberdade .
“fallecida aos 2 de abril de 1802, com idade de 90 annos, sem deixar bens alguns ,porque em vida soube distribuil-os, e remunerar com a liberdade os escravos que lhe servião”.
Com a fim da mineração o vale se insere num novo ciclo através da agricultura, e da experiência naval, e Iguape torna-se grande produtor de arroz,o ciclo do arroz destacou Iguape como um dos mais importantes núcleos do império , com um porto que era um dos principais do país, e uma sociedade formada por fidalgos portugueses, donos de terras e de escravos e donos de importantes casarões.Porém em 1827 iniciou-se a abertura do
Valo grande, até então todo o transporte das sacas de arroz era feito de canoa até o porto do Ribeira e dali transportadas de carroça até o porto
Grande (Porto de Iguape). Para facilitar decidiram abrir o canal que foi concluído em 1852 nessa época o canal só possibilitava a passagem de uma canoa por vez, com o tempo a obra tornou-se fatal para a economia de Iguape, pois as forças das águas do rio passaram a entrar no canal a assoreá-lo impedindo a entrada de navios, pondo fim ao período faustoso
do arroz.
A mistura de brancos de origem portuguesa, grupos indígenas do litoral e comunidades quilombolas deu origem a cultura caiçara, o caiçara faz parte de uma cultura denominada litorânea, mas no Vale do Ribeira como já foi observado houve um processo de ocupação partindo do litoral para o interior sendo assim essa cultura reflete na formação da identidade de toda região. O caiçara pauta-se numa ligação muito forte com a natureza, com grande experiência no cultivo de subsistência, e na coleta , mas tendo sempre a pesca como principal atividade.



Glossário do topônimos municipais do vale do Ribeira

*APIAÍ( TUPI) – Significa rio de meninos ou lugar alagado
*BARRA DO CHAPÉU- (PORTUGUESA) Origem toponímica referente ao rio que corta a cidade , rio Chapéu.
*BARRA DO TURVO(PORTUGUESA) Origem toponímia em função de ponto de descanso a beira do rio Turvo.
*CAJATI(TUPI)Origem toponímia ligada a uma planta de folhas compridas.
*CANANÉIA-(TUPI) origem toponímia vem de uma lenda segundo uma índia de nome Caniné filha do cacique Ariró, apaixona-se pelo colonizador português
*ELDORADO-(PORTUGUESA) é uma alusão aos aventureiros que chegarão em 1750 em busca de ouro, toponímia antiga era Xiririca de origem tupi que quer dizer “água ligeira”
*IGUAPE(TUPI)Existe várias versões u´wa(= seio d´água, enseada,baia)+PE(=em)ou seja na enseada, na baia.
*ILHA COMPRIDA(PORTUGUESA) Origem toponímia tem origem na grande extensão de sua praias.
*IPORANGA(TUPI) Y= água+ Poranga= bonita “rio bonito ou água bonita”
*ITAPIRAPUÃ PAULISTA(HÍBRIDA{TUPI PORTUGUESA} Ita=pedra+
Pira=peixe+pua= peixe vermelho na pedra.
*ITARIRI(TUPI)Junção Ita=pedra+ riri = ostra “pedra da ostra”
*ITAOCA(TUPI) junção ita=pedra+ oca= casa “casa de pedra”
*JACUPIRANGA(TUPI)devido a existência de muitos pássaros
Jacu= pássaro Piranga= vermelho “jacu vermelho
*JUQUIÁ(TUPI) Existem versões para a origem topinomica
Ju-cui(espinho de fruta) Juquiá currptela de Yquiá seria rio sujo ou armadilha para apanhar peixe.
*JUQUITIBA(TUPI) terra de muitas águas
*MIRACATU(TUPI) terra de gente boa
*PARIQUERA-AÇU(TUPI) armadilha ou cercada para apanhar peixes grandes
*PEDRO DE TOLEDO(PORTUGUESA)Toponímia em homenagem a político Paulista
*REGISTRO-(PORTUGUESA) toponímia em função da sua fundação no período colonial, era o local onde se registrava o ouro vindo do alto Ribeira pelo rio .
*SETE BARRAS(PORTUGUESA) toponímia deriva-se de uma lenda que remonta o ciclo do ouro do vale do Ribeira, um espanhol garimpou pepitas no rio Iporanga e derreteu em sete barras , resolveu enterra-las num sitio chamado Goyantâhogoa para fugir do posto fisco português, e nunca mais se achou, aquela sitio passou a se chamar Sete Barras . *SÃO LOURENÇO DA SERRA(PORTUGUESA)Nome é alusão a caçadores que teriam se perdido na região e conseguiram se salvar eram devotos de São Lourenço.
*TAPIRAÍ(TUPI) Terra das antas, animais que eram comuns na região;

ODE PARA DRUMMOND

Sua figura inspira silêncio
mas sua poesia em si incomoda
esse teu sorriso é tão mineiro
e essa poesia implacável

O que seria do mundo sem Drummond?
sem essa morte do leiteiro à Cyro Novaes
sem teogonia, sem José...

Sabendo que os ombros jamais suportariam o mundo
as palavras procuram seus reféns
que se danem as escolas
pré-modernismo , modernismo, sei lá...

Vejo um velho macilento e calmo
na noite enluarada
passos descompromissados.

em seguida vejo Elefantes
sobre o brejo das almas

um chinês carrega um galo
que breve tecerá uma manhã

Acordo com uma simples receita de ano novo.
sem saber que a minha história também era mais
bonita que a de Robinson Crusoé.


Julio Cesar da Costa

1997

TROVAS CAIPIRAS

TROVAS CAIPIRAS

Nos sertões do alto Juquiá, em um fandango onde eu me achava
Cantava um violeiro, quando a elle se chegou uma mulata e pediu-lhe
que respondesse em versos, e ao som da viola si beijar era crime, si o
beijo era peccado. O nosso emprovisador caipira, não pateteou e retemperando
o pinho, vociferou:


Um beijo não é crime
Nem nunca foi pecado
Pois um beijo inté ridime
Arrufado namorado.

O beijo puro e nobre
De lábios como os teus
É esmola dado á pobre
Empréstimo feito a Deus

Mesmo o beijo que arrebata
O que dá maió ventura
Que é beijo da mulata
Cum abraço p’ra sentura...

Sendo dado cum amo
Que nasceu no coração
Sendo assim num é peccado
Inté é vertude e sarvação.

Assim o beijo nem crime
e peccado nunca é
Pois o beijo inté redime
Os peccado das muié

Si beijo fosse crime
condenado pelo eterno
As muié da terra firme
tavam todas no inferno

Mas o beijo que é subrime
que encanta, quase mata
É aquelle que nos imprime
uns beicinhos da mulata
esse beijo, aqui lhe digo
põe a gente em boa paz;
de-me um desse por castigo
Pois nem posso cantá mais

Saruva (Jornal O Iguape 1940)

A ÓTICA DA DOR POR CESARE PAVESE


DOR

A dor não pode ser objetivamente determinada por instrumentos físicos,
A dor é antes de mais nada parte integrante do ciclo da vida.
A palavra dor origina-se do latim vulgar “dolore” e designa dor física indo até a dor moral, pesar,desgosto,tormento, aflição, tristeza.
Segundo Sternbach, 1968 “ a dor pode ser uma sensação pessoal e íntima do mal”.A palavra dor representa uma categoria de fenômenos compreendendo uma multidão de experiências diferentes e únicas.
Para Shakespeare “ a dor enerva a alma, torna-a mais teimosa(...) é o veneno da beleza”.
O poeta que mais soube falar da dor foi sem dúvida Cesare Pavese,ele era italiano e nasceu em Santo Stefano Belbo, nas Lange (Província de Cúneo) em 9 de Setembro de 1908, tendo-se mudado muito cedo para Turim,passou um ano na prisão de Barcaleone devido a questões políticas.
Sua tese de licenciatura foi sobre Walt Whitmam e já não era um desconhecido
quando em 1936 publicou Lavorare Stanca: tinha já publicado e continuava a publicar estudos sobre literatura norte-americana clássica e contemporânea
reunidos num volume publicado em 1951.Traduziu Daniel Defoe(Moll Flanders)Charles Dickens, Hermam Melville(Mobie Dick e Benito Cereno),
James Joyce(Dedalus).
Pavese suicidou-se em Turim em 1950.




És a terra e a morte

És a terra e a morte
A tua tentação é a treva e o silêncio.
Não há coisa que viva mais do que tu
Afastada da manhã.

Quando pareces despertar
Toda tu és dor
Está-te na dor e no sangue
Mas não a sentes,
Vives como vive uma pedra
Como a terra dura
E há sonhos que te vestem
movimentos, soluços
que ignoras.
A dor como a água de um lago
Estremece e envolve-te.
Há círculos à flor da água
Deixas que se desvaneçam
És a terra és a morte.

Césare Pavese,
In “ O vício Absurdo” & etc
Tradução de Rui Caieiro
Julio Cesar da Costa
pré ensaios

Encontros Poéticos

O poeta Julio Costa , o cantor Giovane do Valle e o flautista Andre Mendes
1999.
Um sarau na casa do Poeta Julio Costa 1997

Saudoso poeta e violeiro Alan Muller(de chapéu),Osvaldo Matsuda,Nestor Rocha,Genêsio Jr,e o italiano Màximo(ao violão) .



Jerivá

Flores na Serra

IGREJA DE PRAINHA



Lá no cimo da verde collina
Saturada em balsâmicas flores
com um ninho de santos amores
como estrelas fulgentes divinas.

A bondade de mãe carinhosa
Sobre as gentes que acodem sinceras
uma igreja na paz silenciosa
qual rainha das almas impera.

Lá no vale se escutam canções
como escravos de amor prisioneiro
e na sombra do verde outeiro
flutuando se vão orações
É Maria! - a mãe dolorosa.

Nossa Senhora das Dores
Mãe imaculada rainha
livrai de todos rancores
meu povo e toda a Prainha.


Observação- Este poema foi escrito por um anônimo,
sua referência foi a visita de D´Lúcio Antunes
de Souza (Bispo de Botucatu) à paróquia de Prainha,
naquele tempo nem Santos era Bispado.
O poema foi escrito em homenagem a ocasião,
A 3ª estrofe teve minha interferência pois o original
estava rasgado e faltava parte final do poema.
O documento me foi entregue pelo sr. Laerte de Camargo
Araújo, que recebeu do Sr Paulo Laragnoit.
O compositor Antonio Lara Mendes, meu companheiro no Grupo
Batucajé, musicou e seu filho o flautista Andre dos Santos
Mendes fez um belíssimo arranjo de flautas, imortalizando
o texto "Igreja de Prainha", numa bela composição musical.

Julio Cesar da Costa

NAÇÃO TUPI

Minha nação é tupi
sou guarani Mbyá

sou grande flecheiro
sou Tamoio
sou Carijó
sou Tupinambá.

Vejam minha igaraçu
canoa de vulto
vamos recolher...
hoje o mar esta bravio

não dá pra ygará
nem dá pras obás
somente as pirogas
tão bem protegidas
por seus maracás.

Julio Cesar da Costa

A BANDA

A guitarra de Pakau
ele não toca mais
ela esta rouca
calou a boca
até com distorção

Então lhe deram uma viola
dizem que de timbre caiçara
e afinada ao berro de onça
e essa viola, segunda as falas
é uma herança de " Seu Paulo Mendonça"

E nesses tempos em que os seres
já não são tão rebeldes
viola chora
e Pakau canta em voz com distorção
Dizem até que tem uma nova banda
em pura ascenção
de som manero
com "Dona Ana"
no acordeon.

Julio Cesar da Costa

LUZ REFLEXIVA

Tua boca resume-se ao céu
distanciando-se de mim
como todos os astrso boreais,
tua fala me é somente angustia
na tua primevera devoro flores
ignorando fragrâncias e sutilezas.

E quanto sinto-te na hora fria da manhã
bebo teu néctar
ao café preto de desjejum.

Na noite sonâmbulo
procuro teu corpo
na esperança que apazigues meus devaneios,
sendo apenas sombra sob a luz reflexiva.

JULIO CESAR COSTA

TRISTES AO ACASO

Belo é o passeio gravitacional das folhas
ao desprender-se dos galhos
e timidamente pousarem sobre
a terra fria.

Ah! vento estival
por que varres as folhas secas
que breve serão humus
onde as minhocas
em seus bailados
rompem a crosta
ao gesto único
de oxigenar.

E o vento valente
varrendo vai,
as folhas secas
sem vida
são acolhidas pelo jovem
jardineiro, poeta
ganhando vínculo das palavras
tristes ao acaso.

JULIO CESAR DA COSTA