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ZUMBI ATÉ HOJE

ZUMBI, SE VOCÊ SOUBESSE
QUE O VENTO QUE ZUMBIU
DAQUELA ÉPOCA, PARA CÁ, AINDA APAVORA OS CONTRÁRIOS.

ZUM! ZUM! ZUM!
CAPOEIRA MATA UM
ZOEIRA,ZOEIRA, FOI SIM,
O QUÊ A IDEOLOGIA DO "NEGO" PROVOCOU
DESAFIOU O CORO DOS DESCONTENTES,

Ô MEU MANO, Ô MEU BROTHER
SWING, ATABAQUE, TERREIRO
Ô NEGO, O HORIZONTE CHOROU
Ô NEGO
A CONSCIÊNCIA SE EXPANDIU!

MARTINS CASTRO

RADICAL ARTE

TALVEZ ESSE TEMA
NÃO TENHA TEMA
PODE SER O QUE VOCÊ
PENSA VIVER.

UMA ESTRELA FRIA NO CÉU.
O QUE O CEGO ENXERGA
O SURDO OUVE
O QUE O UNIVERSO CONTÉM.

O ÓLEO SOBRE A ÁGUA
O FOGO SE ALASTRANDO
DEBAIXO DA CHUVA TORRENCIAL,
O VENTO EM SILÊNCIO.

RADICAL CHIC
PARA VALER
O QUE VOCÊ ENTENDER...


MARTINS CASTRO- 1993

CINEMA

Imagens coloridas
imaginação, fantasias
flerte com o real
imaginário traços que divide.

Faça a coisa certa
Poderoso chefão
A última tentação de Cristo
Cinema Paradiso

Woody Allen disfarçado
Coppola fora de lente
Scorcese co Taxi driver
e Carlão o último dos Corsários!

NO CENTRO DO CORAÇÃO DO VALE...

Conteúdo essencial para viver aqui,
é mergulhar em você mesmo, para
saber onde esta.
Encontrei um verde virgem, maduro.
Desconheço a mim, desconheço onde estou,
minha bússola é o meu coração
apontando para o centro dessa região.
A viagem principia, viagem ao centro,
não a viagem de Júlio Verne , a nossa viagem!
Vale do Ribeira a partir de nós, partindo, rupturando
outros conceitos,
construindo versos sujos de tintas, mapeando com "atos arte"
o que vai surgir,
Nós.

Martins Castro

Texto escrito para o Fanzine "Distinus look fanzine" nº 2
do poeta Martins Castro e Julio cesar da Costa 1991

Não tenho nenhuma crise,
Nem de rins, nem de asma,
Nem dos nervos, nem de histeria
Nem de nada,
Somentede estar vivo.

Esperando o Messias

_Eu sinto o advento!
Ela contou o que sentia
numa manhã de vento,
com seus pés numa bacia.
Ele saiu silencioso


_ Comprar um cigarro na padaria ...
Antes do silencio, claro, ele dizia
saiu não voltou até hoje.
Desde aquele dia,
Espero o Messias.

JANELA EMBAÇADA

A dose do amor
é proporcional a
dose do veneno do ciúmes.
Arca o assoalho com grande vaso de flor
e paira no ar o leve perfume.



Ela transitando no pensamento.
Na sala vazia e semi - iluminada
leio do profeta Jeremias, seu lamento.
Vestido, jogado no chão, cheio de nada.



Um chá de ervas, cidreira eu acho.
Tomo copiosamente no meio
da espiral de fumaça.
Parado, valorizado silencio, parado,
nem passo.
Só minha respiração no seu movimento
a janela embaça.

LITERATO DO VALE

MENTIRAS

QUANTAS "MENTIRAS"
SE PRECISA CONTAR
PARA SE TORNAR CONFIÁVEL.

"TECNO-REBELDES" ATACAM
OS "CENTROS-NERVOSOS",
DEPOIS PUXAM AS CORTINAS
TOMAM REMÉDIOS
E DORMEM PROTEGIDOS DO SOL
QUE CHAPAM TODOS OS ÂNGULOS DO DIA.

MARTINS CASTRO - 1996

INSPIRAÇÃO II

UM COPO
NÃO CONSIGO PARAR DE ME ILUDIR
FORÇA DO ESPÍRITO,
ME DESFAÇO
GRITO EM VÃO
VOCÊ NÃO ME ESCUTA
SE SOUBÉSSEMOS DE NOSSA CAUSA FUTURA
SERÍAMOS MAIS CAUTELOSOS.
EM NADA SE ALTERA
NO RITMO
COMO O PULSAR DO CORAÇÃO.


ASTROMAR (MARTINS CASTRO, NESTOR ROCHA E DECO)

INSPIRAÇÃO I

ELA APARECE
COMO SE VIESSE DO NADA
ILUDI
NÃO SE DEFINE
BRILHO DA NATUREZA
PADEÇO

ELA TRANSPARECE ESTRANHESA
OS SEUS OLHOS BRILHAM,
ILUMINAM O QUE ESTÁ ESCURO,
CORAÇÃO VERMELHO
TALVEZ PELO SANGUE BOMBEADO
NAS VEIAS PULSANTES

TUDO QUE SINTO
EMOÇÕES QUE CRIO
MUSA IMAGINÁRIA.

ASTROMAR (MARTINS CASTRO, NESTOR ROCHA E DECO)

EVOLUÇÃO DE UMA VIDA

UMA FLOR INOCENTE
EM JARDIM DESCONHECIDO
E PÉS APRESSADOS EM BUSCA
DO QUE NÃO IMPORTA.

ACEITAÇÃO DO FEIO
DO LIXO MAL DISTRIBUÍDO
DA TELA BRANCA EMPOEIRADA
SUMINDO EM SUBJEÇÕES.

MORAL ETERNA
MÁQUINA-ROTINA
CONSTRUINDO UM EU GRAVE.
E, ENFIM, DESCOBRE-SE O CAMINHO.


ASTROMAR (MARTINS CASTRO, NESTOR ROCHA E DECO)

ANTIQUÁRIO

DADO DA VOVÓ ROLOU DE TÉDIO
NÚMERO SEIS
EM ANOS, INFÂNCIA
IDADE DE VIVER
TEMPO ANTIGO
O TESTE DA SOMA, LEMBRANÇAS
RACIOCÍNIO
ANGÚSTIA QUE PERSISTE
TEMPO QUE SE ESVAI
ERA
SER QUE LUTA
QUADRO QUE FALA,
GRITA:
OBJETOS DESGASTADOS,
VIDAS DESGASTADAS,
ESCONDIDO NO PASSADO
ESPREITANDO OS ADVENTOS
DE ERAS AVANÇADAS
EMANCIPADAS NOS TEMPOS
PEDRAS NOS TRILHOS
CREPITANDO AO SOL.

ASTROMAR (MARTINS CASTRO, NESTOR ROCHA E DECO)

OBSRERVAÇÃO: AS COMPOSIÇÕES POÉTICAS CRIADAS PELOS TRÊS ESCRITORES RECEBEU O PSEUDÔNIMO DE ASTROMAR - ESCRITOS DE APROXIMADAMENTE 1994.

No balanço do barco

QUE ONDA VIOLENTA
BALANÇA MEU SENTIMENTO.
ELA? LAMENTO, VINHO, CHORO
EM CORO.
LONGE DA MARGEM
VAI SE APAGANDO SUA IMAGEM
PRÓXIMO DO HORIZONTE
SORRI POR UM INSTANTE.
ADEUS BOÊMIA
SÓ O GATO SOLITÁRIO TE ESPIA.
Martins Castro - 1994