(Edison no Bar do Soró)
9a. Exposição de Artes Plásticas espaço diverso em Miracatu
Filha ao rio
Quando tomei sua benção
suas mãos transpiravam, respingavam.
Ah!que hora mais dura!
De que é feita Senhor?
Foi feita para o fim.
Pois me veio a chuva de um ano inteiro,
desabar em fevereiro.
Já sem pernas para fugir
sem braços, sem nada.
Que pena, paraplégica
Que pena, paralítica.
A mãe morta de fala
corria às margens do rio.
Um galho nas mãos.
Na ponta, seu coração encravado
Foi-se a hora, nunca mais.
Conformada pela estrada
e ainda dizia:
- Vá embora,deça o rio,obedeça as curvas.
Não pare-a, paredão de pedras,
não separe suas partes.
Queria tanto ir junto.
Leve-me senhor, acaba esta dor.
Hoje, já pssaram-se tantos anos
mas há muito silêncio habitado
Pois não havera mais momento, mais nada.
O frio rio queimado, passado
agora estava só.
E esta voz!Como quero ouvi-la mais
hora na sala, hora no quarto
semelhante a minha
anda!corre!estou aqui!
subtraindo-me a idade na soma de cada ano.
Renato Cavalheiro
Miracatu 1993/1994
suas mãos transpiravam, respingavam.
Ah!que hora mais dura!
De que é feita Senhor?
Foi feita para o fim.
Pois me veio a chuva de um ano inteiro,
desabar em fevereiro.
Já sem pernas para fugir
sem braços, sem nada.
Que pena, paraplégica
Que pena, paralítica.
A mãe morta de fala
corria às margens do rio.
Um galho nas mãos.
Na ponta, seu coração encravado
Foi-se a hora, nunca mais.
Conformada pela estrada
e ainda dizia:
- Vá embora,deça o rio,obedeça as curvas.
Não pare-a, paredão de pedras,
não separe suas partes.
Queria tanto ir junto.
Leve-me senhor, acaba esta dor.
Hoje, já pssaram-se tantos anos
mas há muito silêncio habitado
Pois não havera mais momento, mais nada.
O frio rio queimado, passado
agora estava só.
E esta voz!Como quero ouvi-la mais
hora na sala, hora no quarto
semelhante a minha
anda!corre!estou aqui!
subtraindo-me a idade na soma de cada ano.
Renato Cavalheiro
Miracatu 1993/1994
Me iras ilhas
Tem amanhâ?
Tem!
Quer um?
Deixe-me olhar ao redor.
Leve-me daquiiii!!!!
Para o fim desta criança lática
em seu limite.
E todos os cães quase que assim
pensam iguais a mim,
pois meu dia com verdade é trágico.
Essa exasperação ezonerada exila-me.
Preciso voltar para a nave.
essa sobre os ombros.
Renato Cavalheiro
Miracatu 1993/1994
Tem!
Quer um?
Deixe-me olhar ao redor.
Leve-me daquiiii!!!!
Para o fim desta criança lática
em seu limite.
E todos os cães quase que assim
pensam iguais a mim,
pois meu dia com verdade é trágico.
Essa exasperação ezonerada exila-me.
Preciso voltar para a nave.
essa sobre os ombros.
Renato Cavalheiro
Miracatu 1993/1994
Casca
Corpos segregados. De onde vens morbidês?
De onde arrastas este gosto pálido de sangue?
lésbicas secas de trompas amarradas.
Espectros queimados que derretem-se
à sombra do Lago Néci, entre os favos
e o mel da madrugada entorpecida.
Escondam suas presas,
pois as minhas ariranhas estão mortas
e já reintegram-se às águas liquefeitas.
E que surjam os óvulos fecundados
eu os espremerei suas larvas
sobre os corpos pregados nos cataventos
ventando gritos ao dorso da ilha.
A inválida que viras
não é de toda Maria.
É mais um rosto sobre o vespeiro
aglomerando ferrões.
Não é de toda leprosa
entre os cacos de telhas
esborrifando suas cascas
que baqueia, escorrega sobre escarros
e se vence pelo cansaço
enrrolada em seu guizo.
Renato Cavalheiro
Miracatu 1993/1994
De onde arrastas este gosto pálido de sangue?
lésbicas secas de trompas amarradas.
Espectros queimados que derretem-se
à sombra do Lago Néci, entre os favos
e o mel da madrugada entorpecida.
Escondam suas presas,
pois as minhas ariranhas estão mortas
e já reintegram-se às águas liquefeitas.
E que surjam os óvulos fecundados
eu os espremerei suas larvas
sobre os corpos pregados nos cataventos
ventando gritos ao dorso da ilha.
A inválida que viras
não é de toda Maria.
É mais um rosto sobre o vespeiro
aglomerando ferrões.
Não é de toda leprosa
entre os cacos de telhas
esborrifando suas cascas
que baqueia, escorrega sobre escarros
e se vence pelo cansaço
enrrolada em seu guizo.
Renato Cavalheiro
Miracatu 1993/1994
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