O ELEFANTE QUE QUERIA VOAR



O elefante queria voar
Não se contentava
No chão a pisar

Ele imaginava o azul do céu
Feliz como a pipa
De linha e papel

Ele fez um trato
Com o velho urubu
-Me empreste suas asas
Vou voar para sul
Pois a partir de hoje
Eu vou te deixar
Toda minha força
Pra você usar.

Num passe de mágica
Ele conseguiu
Duas enormes asas
E no céu sumiu

Mas deixou na selva
O velho urubu
Que vivia quieto
Sempre jururu

Mas ganhou uma força
Nem sabia usar
Obrigou os bichos
Todos a dançar

Foi uma alegria
Uma confusão
Só que viver de festa
Não dá certo não!

Pois aquela festa
Não queria parar
Todos enjoaram
De tanto cantar
Mas o urubu
Pos-se a gritar
- Só se para a festa
Quando eu mandar

Pois eu sou mais forte
Sou o valentão
Meia tonelada
Seguro na mão.

Foi ficando chato
O que era bom
Ninguém agüentava
aquele mesmo som.

E a bichara começou a gritar
O nome do elefante
Só pra ele voltar

E o elefante tava entediado
Já voara o céu
De todo quanto é lado.

Estava com saudade
De seus pés no chão
Ainda mais, ter asas
Era um trabalhão.


JULIO CESAR COSTA
DA FUTURA PUBLICAÇÃO
INFANTIL " NO BALANÇO DA MARÉ"

Bhaskara

Ouvia-se ao longe os ossos se partindo
entre as presas.
Aquele cheiro preso ao escuro
sete palmos de línguas sobre toda a terra
varrendo assolações,
varrendo monturos em sete partes,
onde só o mais forte sobrevive,
quando a carne se ajoelha para adormecer,
sobre o líquido das sombras expulgadas.
Então,esta voz negativa é a que vem
lenhar nas queimadas arrastando-se
ao alto, buscando as origens,
buscando repouso de seus crimes ácidos,
e a qual jáz vencida
busca pastagem sobre a vermelhidão.
Os olhares defumados,
encortiçados sobre os ventos de anomalia
em seus momentos píscicos em busca da força mosca
quando o interruptor lucidez
não responde mais aos estímulos.
Em uma exatidão se faz,
quando surge em si, cavernas em convulsões siderais,
esmurrando e comprimindo:
Hora de caçar para comer!
Corpos em deformações metrópoles
fuzilados de fúrias rompantes
quando amanhecer sobre a insuficiência.
O alimento X

Renato Cavalheiro
27/11/06

Oráculo

Um ângulo da luz
contacto superficial
partículas de fugas em êxtase
se fundem em seus elementos únicos
não existem caminhos para a noite, que voltem.
Foram atados os molhos
de rostos em dias detritados,
mascados, decepados das raças
nos umbrais da escuridão.
A cúpula de coliformes em cápsulas
em natura matriguais.
Contato de oceanos em chamas
dos arremessados de abalos sísmicos noturnos.
Os habitantes selvagens tigres de fogo
em lágrimas de vidas de vidros.
Eras negras dos Xamãs em alfa.
O fundo frio da taça étnica atrás
das paredes humanas.
Velozes esfínges em fúrias vertes de
incompreensão da vida.
Um só diamante.
Um sol de amantes.
O centro muscular do ódio de cabeças
incandescidas em olivas da proliferação
das chagas genocidas.
Asas vivas da mutação linguística.
À frente, os calados que vão entre nós.
Que vão em trenós.
Vozes devoradas dos queimados
em habitações de soluços dos jazigos Euroasiáticos.

Renato Cavalheiro
19-09-06


AURORA NO ARIRI

barulho de carro

João Goulart
antes do golpe de 64
condecorou
Che Guevara
e Mané Garrincha.
Os três, mataram.
o importante é a amizade
nóis critica nossos irmão, nossos amigo
mas tamo com eles até o fim
família é assim.
dentro de um mesmo pensamento ético

déco
05/12/2009

a queimada

a queimada não é assassina
a queimada era assassina
a queimada era assassina
quando ela sorrateiramente
todo ano
ia diminuindo
aquele bolinho de mato
dum jeito que quem passava depressa nem percebia
mas pra quem morava por entre as árvores
cada folha que caía
era um olhar que entrava
por dentro de sua casa
até virar a avenida
a queimada era assassina
a queimada não é assassina

déco
sete barras 05-12-2009

a árvore

a árvore de trás do riachinho
é árvore mãe
Pai ou Mãe?
com suas sementes seguem a herança
o vento pára. um estorpor a solta.
sementes carregam sinas
a árvore distribui sementes ao seu redor
logo após a queimada
assassina

Araraquara 08-1999

déco (do livro "Vento Caminhador")