Telha

seria um pedaço de um instante
um barracão que guardava nas suas grades de telhas
alguns mistérios: assombração em meio ao cheiro seco
de terra enquanto lá fora chove.
O trólinho, trenzinho de puxar telhas,
era nosso carro
carro de criança.
A telha era onde se faziam telhas
Ê telha boa que já tinha sido. História.
Jaraçatiá véio. Guardou a gente que veio com a pista.
Lugares melhores à procura. O coração manda.
Nosso ancestral índio morava em todos estes lugares
e me olha com seus olhos de respostas.
A telha também foi com o tempo.
A lembrança não.
Fazer pelote prá caçá passarinho no que sobrou do forno.
Agora fogueirinha.
Lembrança é o que mais faz a gente ser a gente.

déco
Araraquara 12-05-99
do livro “Vento Caminhador”

luz dourada ao entardecer

o avião passa sobre a minha cabeça
trazendo aquele barulho de quem não quer mais o chão
o chão
Em certos dias de inverno
a fumaça do avião brilha igual a luz dourada ao entardecer
Aqueles sofás ali atrás servem de trampolim para as crianças
Mas dá um certo medo de que elas caiam
Crianças devem ficar longe de adultos por algum tempo
A casa nas cidades grandes
faz com que os nossos sentidos se voltem para dentro
De nós e das casas
Fotoblog com orelhas, brincos,
boca e sorrisos e algumas coisas ao fundo.
Imagem embaçada, desfocada.
Ainda tenho o mundo como rio
Talvez mude, talvez veja o céu como rio
Gosto de tentar ver o que existe por de trás das coisas
Atrás das palavraS, DAS SOMBRAS, DAS MONTANHAS
Por dentro das fotos
E o que mais me intriga é a imagem no fundo do poço
Imagine o som do avião vindo do fundo do poço
Imagem e som (guardadas)

déco
SÃO PAULO
26-08-05

Ouça essa canção trazida pela chuva

"Maio é mês de boaventura
Nem bem amanhece
Já é noite escura"
Vejo as frases como palavra
Uma frase uma palavra
Ou uma cena
Ou um gesto
Um gesto merece muitas frases
alma para as frases
cenas poéticas
instante igual uma incerta música
esculpi as suas palavras
fotografei aquele perfume da noite da rua do Faú
bem por cima da sua pele
os grilos cantam incessantemente
dizem de coisas ou linguagens
ainda não percebidas ou não inventadas
ultrapassam as paredes
principalmente este mais fininho
se decompõe entre os grânulos da parede
e se recompõe dentro dos nossos ouvidos
de uma maneira muito imperceptível
estou a espera do frio
olho no horizonte toda tarde
toda a tarde
dá pra pular de tons em tons
o azul no final da tarde é anúncio de noite fria
a noite está quente
a coruja cantou à pouco
a Sundara
Suindara
Ara é sol
Sol da noite na alma Guarani
Estranho em sua terra
Ou ara é clara
Clara na noite escura
Coruja branca
sundara
Põe a roupa pra quará
Lobo guará
Sussuapara
iara
Disseram que a nova aldeia Guarani não é daqui
"No seu coração a fronteira era grande"
A do espaço e a do tempo
"quanto tempo não vejo você
Ainda vive em meus pensamentos
Igual como se ainda existisse"
Entrarei em uma caverna e lá guardarei o desenho de seu rosto
Deixar de ser estrangeiro é se sentir em casa
O Guarani se sente em casa
Traz e leva e espalha as lembranças
ultrapassando as estrangeiras fronteiras
Que as fronteiras não se sintam em casa
Barra Funda dos minero resgata a reforma agrária
com a benção de um justo Padre Japonês
Serra de Prainha dos franceses virou do Juvenal minêro
Zé galego foi morto em seu sítio por palmiteiros
Polícia matou pai de família confundindo-o com palmiteiro
Cláudio gaúcho coloca vela japonesa no Ribeira
para que ilumine o caminho dos seus mortos
Jão do Iraque visitou uma aldeia Krenak
Conchal dos Preto foi uma possível morada dos sambaquizeiros
No sambaqui do i jacupiranga
diz que tinha um negro parente de Luzia,
que era das montanhas de Minas,
enterrado
Lanchonete do Pará foi local de muitas conversas
Fazenda Rosária do Italiano é caminho para o quilombo do Biguázinho
Berimbau baiano sendo tocado nas tardes tradicionais da Ribeira
Congada minera sendo resgatada com o esforço da prefeitura
Andar em busca de uma terra sem mal
é uma das mais antigas tradições destes lugares
receber gente de todo local e descer ou subir com as águas
é a tradição de quem vive na beira de rio.
rio
o Rio Ribeira
foi local de encontro e passagem
entre o interior e o litoral
aceitar o outro como seu parente
é muito antigo entre muitos índios brasileiros
A tradição pode esconder muitas injustiças
Assim como algumas novidades
Agora vou assistir o jogo da Taça Libertadores da América

Déco Miracatu
Sete Barras
12-05-2009/16-05-2009

AMADA IGUAPE


AMADA IGUAPE


Oh Iguape!
Solo do meu exílio
Terra que escolhi!

De ti não nascido
Não me tivestes
Como filho...

Mais saiba
Terra amada
Que eu sou teu!

Princesa do litoral
Não és minha mãe
És minha amante...

É do teu ar
Que vivo
Que palpito...

Tua alma
É meu sangue
Minha seiva.

Saiba...
Oh minha amada!
Amada Iguape

Quando meus olhos
Cansados de viver
Bem no meu fim...

Serão teus montes
Matas e cascatas
Que levarei comigo.

E no esquecimento
Oh minha amada!
Serei o teu cantor.

Quando o silêncio
Vier morar comigo
Saberás que sou teu

Pois em teu solo
Ficarei para sempre
Dormindo em teu chão

E numa morte assim
Sonhado encanto
Serei bem mais feliz

Serei teu vento
Ruas e calçadas.
Serei teu aprendiz!

Aprendiz do amor,
Minha princesa!
Em fim serei só teu!

GASTÃO FERREIRA/2009

CONSEGUI


CONSEGUI

Novo amor está chegando
E eu me sinto tão feliz...
Assim estou te avisando:
- Do passado!Me desfiz.

Já não ando pelas ruas
na procura bar em bar!
As tristes lembranças tuas
todas perderam o lugar...

Não ouço mais a risada.
Teus passos no corredor.
Não tenho alma magoada.
Do peito arranquei a dor...

Mandei embora a saudade
e nem penso em te rever.
Eu sou feliz de verdade:
- Eu consegui te esquecer!

GASTÃO FERREIRA/2009

AMOR DO PASSADO


AMOR DO PASSADO

O meu amor do passado
tão presente está em mim.
Sombra sorrindo a meu lado
perfumando o meu jardim...

Eu colho todos os dias
as flores que eu plantei.
Dei teu nome às fantasias
que no meu peito guardei.

Se é mentira ou verdade...
Ou um sonho que inventei
pergunto a minha saudade.
Só eu sei o quanto amei...

Hoje em terra distante...
sem as cantigas do mar.
Não te esqueço um instante
Jamais deixei de te amar!

GASTÃO FERREIRA/IGUAPE/2009

NO ESPELHO


NO ESPELHO

Andei por tantos caminhos,
tantos rumos já trilhei.
Trago a marca dos espinhos
no meu rosto. Hoje sei!

O branco no meu cabelo
quanta lágrima molhou!
Oh! Esse rosto no espelho
por tanta dor já passou!

Eu vejo um sonho morto
boiando no meu olhar.
Essa falta de conforto
de viver sem se notar...

Eu noto no meu sorriso
uma ponta de saudade,
igual menino indeciso
escondendo a verdade.

Mas se o espelho está certo
por certo eu também estou;
- Dentro de mim um deserto
foi tudo o que me restou...

GASTÃO FERREIRA/IGUAPE/2009

CONCURSO DE DESENHO

RESULTADO DO CONCURSO DE DESENHO:



DIA 25 DE JUNHO DE 2009


ESTE CONCURSO OFICIALIZA O SÍMBOLO ACADÊMICO



EM BREVE VOCÊ CONHECERÃO SÍMBOLO DA ACADEMIA VALE RIBEIRENSE DE LETRAS
ENTREGA DOS PRÊMIOS:
DIA 04 DE JULHO
LOCAL: SERÁ DIVULGADO NOS PRÓXIMOS DIAS
OU SERÁ ENVIADO (OS PRÊMIOS) VIA CORREIO DIA 08 DE JULHO DE 2009
CÓPIA DO SEDEX SERÁ POSTADA NESTE BLOG, NO BLOG MIRACATUANDO E NOS VEÍCULOS DE INFORMAÇÃO LOCAL (VALE DO RIBEIRA) E BLOGS E SITES REGIONAIS.
CADA PARTICIPANTE DO CONCURSO SERÁ ACIONADO PARA SABER O RESULTADO FINAL DO CONCUSO VIA E-MAIL.
JURADOS:
OSVALDO MATSUDA
ARTISTA PLÁSTICO, ESCRITOR, POETA E PROFESSOR DE ARTES
ROBERTO FORTES
ESCRITOR, JORNALISTA E PESQUISADOR
JULIO CESAR COSTA
DECLAMADOR, POETA,ESCRITOR
CAMILO APARECIDO DE ALMEIDA
PESQUISADOR E BLOGUEIRO
LUCIANO (L.V.D.L)
ESCRITOR, PROFESSOR E TRADUTOR
JEHOVAL JUNIOR
JORNALISTA, ESCRITOR, PESQUISADOR E PROFESSOR
LAERTE CAMARGO ARAÚJO
PESQUISADOR, BLOGUEIRO E PROFESSOR

SOPRAR DO VENTO


SOPRAR DO VENTO

O MEU CAMINHO TRILHEI
ENTRE RISO E AMARGOR,
E TUDO AQUILO QUE SEI
VAI COMIGO ONDE EU FOR.

MEU TESOURO MINHA MENTE
ÁGUA PURA E CRISTALINA
UM MENINO INOCENTE
NO MEU PEITO CANTA AINDA.

VOU EMBORA DESTA TERRA
COMO TODOS HÃO DE IR...
VOU VIVER EM NOVA ESFERA
MAS VOCE! VAI ME SENTIR...

ASSIM AO SOPRAR DO VENTO
TARDE MANSA OU MADRUGADA
CONTIGO O MEU PENSAMENTO
SEGUE JUNTO PELA ESTRADA!

GASTÃO FERREIRA/IGUAPE/2009

O meu inferno passa a ser provisorio,como provisorio é o de ruffato 2

"Na mão direita tem uma roseira
que da flor na primavera
Que da flor na primavera
Bela roseira entra na roda
E abraça a mais faceira
E abraça a mais faceira"
Dominio público

Imagem plagiada
Texto plagiado
Vidas plagiadas
O tempo parou
O continuum do tempo parou
O Vale do Ribeira e poesias
poesias no Ribeira
Poesias beirando
Na pausa do tempo
Nos espaços ressonantes
O passado será captado
Pela antena de um poeta
No tempo da ...
A areia caindo sobre o vidro
A palavra caindo sobre o poema
Poema areia e vidro
Areia e vidro é meio hermético
mas é poético
Neste banco de areia
Banco de idéias
Armazenando poemas
Desaparecendo banco de areia
No presente, o passado está sendo captado
Pela antena de um poeta
No tempo da areia cair sobre o poema
Poema areia e vidro


Imagem plagiada
Texto plagiado
Vidas plagiadas
O tempo parou
O continuum do tempo
parou
E a poética passou pela avenida
Conego Cipião - Miracatu - Vale do Ribeira - SP
Silencio da ausencia
Ouço o lamento dos Zés ninguem
Eles Matavam a austeridade
Não sei se estou em 92 ou 94
Período da Dissipação Visual
Dissiparam alguns artistas e obras
Dissiparam alguns poetas e poesias
Algumas obras permaneceram
Algumas poesias permaneceram
Me aproximo do ano de 2009 que ñ verei
que verei
que vi


Iu ha
Iu ha
Iu ha, lingua
Grito
Iu eh
Iu eh
Iu eh, lingua
Grito
Ieuaie ooooo
Ieuaie ooooo
Ieuaie ooooo
Ooooooooooo
Ie ua ie oooo
Ie ua ie oooo
Ieua ie aaaa
Ieua ie aaaa
Ieuaio eeeee
Ieuaio eeeee
Ie ua io eeee
Eeeeeeeeeee
Ia o iao iao
Ia o iao iao
Ia o iao iao
Iao iao iao
Iao iao iao
Iao iao iao
Ioa ioa ioa
Ioa ioa ioa
Aaaaaaaaaa

O SORRISO DO MORTINHO


O SORRISO DO MORTINHO

OI AMIGÃO! TENHO UMA NOVIDADE PARA CONTAR, PAPAI ME LEVOU A UM VELÓRIO. MAIS UMA AULA DE APRENDIZADO E CIDADANIA. O MORTO ERA O SEU ZÉCA, UMA PESSOA MUITO QUERIDA E AMADA POR SEUS VIZINHOS, UMA ESPÉCIE DE SEGURANÇA DA RUA ONDE MORAVA. SABIA DE TUDO O QUE ACONTECIA, AS PEQUENAS E GRANDES DESAVENÇAS FAMILIARES, FURTOS E ASSALTOS NA MADRUGADA. QUEM NAMORAVA QUEM. O QUE SE COMIA E BEBIA. QUEM PULOU A CÊRCA. CÊRCA? NÃO SEI POR QUÊ? HOJE EM DIA AS CASAS TÊM MUROS, MAS TENHO CERTEZA QUE O POVO FALOU CÊRCA!
SEU ZÉCA MORAVA NOS FUNDOS DE UMA VELHA CASA E O VELÓRIO FOI POR LA MESMO. OS AMIGOS LEVARAM CAFÉ, BOLO, CERVEJA E FRANGO FRITO. ENQUANTO OS FAMILIARES DAVAM ADEUS AO DEFUNTO ENTRE GRITOS, DESMAIOS E CHORADEIRA, O PESSOAL CHAMADO “PAPA DEFUNTO” COMIA E BEBIA GRÁTIS E A VONTADE. UM VIZINHO QUE TOCA TROMBONE QUERIA HOMENAGEAR O PARTINTE COM SUA ARTE, NINGUÉM DEIXOU, O DEFUNTO GOSTAVA ERA DE RABÉCA E COMO FOI IMPOSSIVEL ENCONTRAR UM TOCADOR DE TAL INSTRUMENTO FICAMOS OUVINDO MÚSICA POPULAR BRASILEIRA.
OS PARTICIPANTES DO “ÚLTIMO ADEUS” COMENTAVAM ENTRE SI QUE O DEFUNTO ESTAVA SORRINDO EM SEU CAIXÃO. MEU PAI NÃO QUÍZ QUE EU OLHASSE PARA NÃO FICAR IMPRESSIONADO. ENTÃO POR QUE ME LEVOU? LEVOU-ME POR QUÊ? COMEÇOU UM DIZ QUE DIZ SOBRE O SORRISO ZOMBETEIRO DO MORTINHO. UNS AFIRMAVAM QUE ELE SORRIA PORQUE NÃO DEIXOU HERDEIRO PARA TOMAR CONTA DA ESQUINA ONDE PASSAVA O DIA CUIDANDO DA VIDA ALHEIA. OUTROS COMENTAVAM QUE O SORRISO ERA DE VINGANÇA DEVIDO À NOVA LEI NA CIDADE PROIBINDO FICAR NA JANELA OBSERVANDO OS PASSANTES. SEI LA! ACHEI QUE O SORRISO ERA DE ESPANTO POR TANTA GENTE ESTAR PARTICIPANDO DO EVENTO, TIPO:- ESTOU MORTO, MAS FELÍZ! QUE SE DANEM! VOCÊS PERDERAM UM GUARDIÃO GRÁTIS DA MORAL ALHEIA! RARARARA.
CONFESSO QUE NÃO APRENDÍ MUITA COISA. OS PARENTES CHORAVAM E APROVEITARAM A OCASIÃO PARA ABRAÇAR TODO O MUNDO, DANDO UM ÓSCULO DE AGRADECIMENTO EM CADA PARTICIPANTE. MEU PAI NÃO DEIXOU QUE ME OSCULASSEM E DISSE:- FILHO! ÓSCULO É NA FACE. SELINHO NÃO É ÓSCULO. É SACANAGEM!
UM PADRE ENCOMENDOU A ALMA QUE PARTIA. UM PASTOR FEZ UMA LONGA ORAÇÃO E UM PAI DE SANTO, UM DESPACHO NA ENCRUZILHADA PRÓXIMA, AFIRMANDO QUE COM TAL PRÁTICA O MORTINHO ESQUECERIA SUA ADORADA ESQUINA E SEGUIRIA PARA O ALÉM A FIM DE JUNTAR-SE A SEUS IGUAIS.
O FÉRETRO FOI ACOMPANHADO A PÉ. OS CATÓLICOS CANTAVAM “COM MINHA MÂE ESTAREI”, OS CRENTES “SEGURA NA MÃO DE DEUS” E OS DO FINAL DO CORTEJO “SAUDOSA MALOCA” E “AÍ QUE SAUDADES DA AMÉLIA”.
ESSE FOI O PRIMEIRO ENTERRO DO QUAL PARTICIPEI E ESTOU RELATANDO OS FATOS PARA QUE VOCE NÃO ENTRE EM FRIA. SONHEI COM O SORRISO DO MORTINHO, QUE NA VERDADE NEM VI. SERÁ QUE ELE VIROU ASSOMBRAÇÃO?
UM ABRAÇO DO AMIGO DUDÚ.


GASTÃO FERREIRA/IGUAPE/2009
WWW.gastaodesouzaferreira.blogspot.com

O meu inferno passa a ser provisorio,como provisorio é o de ruffato

"Se eu roubei, seu roubei teu coração
Seu roubaste, tu roubaste o meu tambem
Seu roubei, seu roubei teu coração
É porque, é porque eu te quero bem "

Se é so,re,do é um tipo de musica
Se dança de roda a roda canta
Se gira a roda, a roda canta
Quem ta no meio responde
No canto e no giro da roda fico bem, reflito
O meu inferno passa a ser provisorio,
Como provisorio é o de Ruffato
Provavelmente posso retornar para casa e dizer:
"Mamma, son tanto felice
Perché ritorno da te"
Emfora das plantações e da criação de animais
Embora tenha seu valor, emdentro destas alegria
Emfora destas, momentos assentimentais
Emdentro disto tudo alem do mato, homens
Eu dentro ecologico
Eu bicho bicho
Eu bicho ecologico
Eu bicho de palavras
... assim ... assim,etc

o barro ((poesia feita para Janete, aluna da D. Dalva na sala da 4a- série, onde fizemos uma oficina de escultura em argila)

-Olha ali um pedaço de barro!
O barro foi terra
A terra foi gente
Gente foi pó
O pó quando chove é barro
Com o sol vira terra
Com o sopro do vento é espírito
A terra com a semente vira comida
Todo mundo tem que ter comida
A comida quando tá na gente
Vira força, vira inteligência
A mão quando tem força e inteligência
Consegue amassar o barro
Plantar semente
Fazer boneco
A terra quando tá na mão, dá esperança
Quando tá na mão das crianças

déco
São Paulo 15-10-2000
do livro "Vento Caminhador"

Vale das Chuvas*

Enchente...
Há muito tempo ela vem, de ano em ano,
a esparramar-se pelo Vale dos rios.
Nos pequenos e grandes rios
Enchente Saguarú
Enchente fertilizante enriquecendo a “pobre” terra do Vale
Enchente trazendo peixes pros rios de cima
E levando dos brejos pros rios de baixo
Enchente esperada.
tem gente que vai com a enchente
Descaso do poder público
Da má distribuição de terras
Das construções mal planejadas
Ou da vida que quis ir-se embora
Por isto enchente morte, desesperada.
Acabar com a enchente?
Só se acabar com a chuva...Vale das Águas.
E a Barragem?
Água descendo não avisada.
Morte trazendo, arrastada.
Natureza morrendo, sufocada.
Só para roubar suas águas...suas vidas...Vale das Chuvas.

Déco Miracatu (Vanderlei Ribeiro) 2003
São Paulo



*poesia feita para apresentar a monografia de Alexandre Jeronymo: “Geração de empregos e compra de votos: Fatores que podem precipitar o Projeto de Aproveitamento Hidrelétrico de Tijuco Alto/SP-Pr.” Unesp/FCL, Araraquara/SP, que versa sobre a barragem de Tijuco Alto no Alto Vale do Ribeira.

Local

A noção de localidade veio de carro
Assim como a novidade
A tradição pode esconder muitas injustiças
mas não venha condenar a tinguizada
ou o timbó
Ter o seu bom emprego só porque o seu tataravô
foi o primeiro que ali explorou não é muito bom
nem ser expulso porque a sua avó era uma biscate
Saber tirar o mel é importante
principalmente quando a abelha é brava
Se esconder atrás da sua família
para encontrar o amor é esquisito
Continuar escrevendo deste jeito soa repassado e redundante
mas falar de amor entre certas modas é briga na certa
Penso quê, acho quê, pois o quê,
que falam da tradição ou do novo ou do estranho
como quem contou a história que alguém falou
A nacionalidade muitas vezes protege a exploração
É aquela coisa você prefere ser explorado por brasileiro ou
.....forasteiro?
colocou empregado barato boliviano só porque ele não é
..... brasileiro?
o Guarani é tratado na terra que ele criou como
..... estrangeiro!
Na festa dos 100 anos do Japão
ficou a dúvida de quem e onde se chegou primeiro
Tem gente que pensa que tradição de quilombo
é ser africano negro capoeiro
ou ir em Pariquera ver as danças alemãs no terreiro
ou ir ver o que não restou do sambaqui na cachoeira do...
Juvenal mineiro
ou eiro..eiro..eiro...eiro....eiro.....eiro......
o mundo vai e vem
geralmente

déco
Sete Barras
10-02-09

FAVELINHA EU TE AMO!

CONVITE

OSVALDO MATSUDA E EDITORA ALL PRINT
CONVIDAM A TODOS PARA O EVENTO DE LANÇAMENTO DO LIVRO:
"FAVELINHA EU TE AMO!"

ALL PRINT EDITORA
Telefones: (11) 2478-3413 / (11) 2478-3414
Participe do próximo
SARAU POÉTICO E MUSICAL
Dia 04/07/2009 - Sábado
A partir das 16h00


Saiba mais:
www.allprinteditora.com.br


SUA PRESENÇA É IMPORTANTE!

periG suína

A pandemia não deixa ninguém
De fora, pois atinge qualquer um.
Democrática, ríspida, incomum
E letal influenza! Diga amém!

Influenza A(H1N1) não matarás?
Gripe suína! periG suína! Disseram
Entendidos: dos suínos não vieram
As consequências graves. Cantarás

Tu a canção final? Desta influenza suína?
E doutros que virão cedo ou mais tarde?
Quem sabe, é tempo de ponderação?

A natureza tem uma divina
Forma de resolver qualquer alarde,
Pondera, altera e exclui... periG ação!

(Osvaldo Matsuda)
(SP, 14 de maio de 2009)

MANDANDO EMBORA


MANDANDO EMBORA

UM ALGUÉM QUE FOI EMBORA
LEVOU TODO O MEU CARINHO
NUM AMOR JOGADO FORA
PELAS BEIRAS DO CAMINHO...

O AMOR SEM COMPROMISSO
SE TRANCOU FEITO PRISÃO...
NO MEU RISO DEU SUMISSO
NO MEU PEITO FÊZ CANÇÃO!

AÍNDA VAI CHEGAR A HORA
DE ESQUECER TANTA MALDADE
DESSE AMOR QUE RI E CHORA
TRISTEZA QUE A ALMA INVADE!

CONTAREI AS MINHAS MÁGOAS
AO RIO QUE CANTANDO PASSA...
QUE ELE LEVE EM SUAS ÁGUAS
A DOR QUE MEU PEITO AMASSA

QUANDO O RIO VIRAR MAR
JÁ BEM LONGE DA CIDADE
HEI DE PARAR DE CHORAR:
- ELE AFOGOU A SAUDADE!


GASTÃO FERREIRA/2009

TANTAS SAUDADES


TANTAS SAUDADES

CADA UM DE NÓS
SEGUE PELA ESTRADA
CAMINHANDO A SÓS
EM LONGA JORNADA!

ALGUNS VÃO SOZINHOS
OUTRO ACOMPANHADO
UNS DE VAGARZINHO
OUTROS APRESSADOS...

MAS NO FIM DE TUDO
O QUÊ VAI FICAR?
UM SORRISO MUDO
UM PERDIDO OLHAR!

FICARÃO LEMBRANÇAS
ISSO É BEM VERDADE...
POUCAS ESPERANÇAS
E TANTAS SAUDADES!

GASTÃO FERREIRA/2009

Poema Saboroso


LANÇAMENTO DE LIVRO: OSVALDO MATSUDA

EM BREVE PARA O PÚBLICO MAIS UM LANÇAMENTO DE SUCESSO.

TRATA-SE DO MAIS NOVO LIVRO DO ESCRITOR, POETA, ARTISTA PLÁSTICO E DECLAMADOR OSVALDO MATSUDA.

MIRACATUENSE DE NASCIMENTO MATSUDA POSSUI UM TRABALHO COMPROMETIDO COM AS VÁRIAS LINGUAGENS AMBIENTAIS E TRANSMITE EM SUA ARTE A ALMA DO HABITANTE DO VALE DO RIBEIRA DIVULGANDO SUAS NECESSIDADES E SUAS ASPIRAÇÕES E DESEJOS.

FAVELINHA EU TE AMO! VEM PARA NÓS COMO UM PRESENTE LITERÁRIO QUE NOS PERMITE OLHAR PARA NÓS MESMOS PARA ENCHERGARMOS O UNIVERSO.

EM SUA LINGUAGEM CLARA E OBJETIVA O AUTOR TRATA DA FAVELINHA INTERNA E MULTIFATETADA QUE EXISTE EM CADA UM DE NÓS.

VALE A PENA LER!

FIZERAM COCÔ EM IGUAPE


FIZERAM COCÔ EM IGUAPE

IGUAPE EM 2009 ESTARÁ COMPLETANDO 471 ANOS DE SUA FUNDAÇÃO. COMO PONTO REFERENCIAL É MUITO MAIS ANTIGO. AQUI JÁ PERAMBULAVAM BUCANEIROS, PIRATAS E DEGREDADOS EUROPEUS BEM ANTES DO DESCOBRIMENTO OFICIAL EM 1.500. EM NOSSO LAGAMAR NAVIOS INGLÊSES, FRANCÊSES, ESPANHÓIS E PORTUGUÊSES FAZIAM ESCALA PARA REABASTECIMENTO DE ÁGUA E VÍVERES.
ESTUDOS APONTAM QUE OS FORMADORES DE SAMBAQUIS HABITAVAM A REGIÃO A 15.000 AC. NOSSA TERRA ERA FARTA EM CAÇA E PESCA, E, A PIRACEMA DA TAINHA TRAZIA CENTENAS DE SILVÍCOLAS DO INTERIOR ATÉ NOSSAS PRAIAS ONDE PESCAVAM E MOQUEAVAM O PEIXE PARA CONSUMIR EM SUAS TABAS DISTANTES.
ENTRE MILHARES DE VIVENTES QUE ADMIRARAM ESSAS VERDES MONTANHAS QUE NOS CERCAM, QUANTAS HISTÓRIAS ROLARAM? AMOR, ÓDIOS, AMIZADES, NAMORICOS E PAQUERAS. QUANTAS PESSOAS ILUSTRES EM SUAS ÉPOCAS E HOJE TOTALMENTE DESCONHECIDAS PISARAM NOSSAS CENTENÁRIAS CALÇADAS? QUANTAS RECORDAÇÕES EM LUGARES LONGÍNQUOS FALAM DE NÓS?
E NÓS, MEROS FIGURANTES NESSE CENÁRIO DESLUMBRANTE, DIVIDIDOS ENTRE FORTES E FRACOS, TAMANDUAS E FORMIGAS, CARNEIROS E CORDEIROS, MÂNCIOS E BRABOS, BRANCOS E NEGRÕES, CEGOS PERANTE A BELEZA QUE NOS CERCA, ESQUECIDOS DE NOSSO PASSADO MILENAR, DESCUIDADOS FRENTE À NATUREZA QUE EMBEBEDA NOSSO OLHAR FUGIDÍO, TENTAMOS DESTRUIR NOSSO LAR PLANETÁRIO NOS ENVOLVENDO EM PEQUENAS GUERRILHAS DIÁRIAS COM OS QUE SE APROVEITAM DE CARGOS E SITUAÇÕES, COM OS QUE DESTROEM SONHOS, COM OS QUE SE APOSSAM DE NOSSA CIDADE COMO FEUDO PARTICULAR, COM OS QUE RETALHAM, PERSEGUEM, DENIGREM SE ACHANDO ACIMA DA LEI, DO PODER, DA CONVIVENCIA SOCIAL.
TUDO ISSO PASSARÁ. IGUAPE É BEM MAIOR DO QUE MEIA DÚZIA DE PARASITAS. IGUAPE SEMPRE SOBREVIVEU AOS APROVEITADORES, DESDE O DISTANTE INDÍGENA QUE LEVAVA NOSSO PEIXE, AOS PIRATAS, AOS SENHORES DE ESCRAVOS, AOS CORONÉIS, A DECADÊNCIA E AOS BERNES. TODOS ÊLES PASSARAM E A ÚNICA COISA QUE PODEMOS AFIRMAR COM ABSOLUTA CERTEZA DAQUÊLES QUE DESFRUTARAM POR ALGÚM TEMPO DE NOSSA HOSPITALIDADE, NOS AMANDO OU NOS AGREDINDO, É QUE TODOS ÊLES FIZERAM COCÔ EM IGUAPE.

GASTÃO FERREIRA
www.gastaodesouzaferreira.blogspot.com