VIDA PASSAGEIRA


(O Relógio de Dali).

O tic-tac do relógio me incomoda...
As horas se arrastam
E os ponteiros não querem andar.
Os segundos e os minutos
Ficam à espreita das horas.

O tempo não passa,
Apenas a vida passa.
A vida se consome
E esse relógio se consome.
Todos se consomem,
Tudo se consome.

Apenas existe uma vida.
Já os relógios... existem tantos!

Miracatu, 25/6/1985

(Por Roberto Fortes).

2 comentários:

  1. Ser comparado a Mário Quintana, um de meus poetas favoritos, é uma grande honra. Obrigado, amigo Gastão!

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